sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Qual é a condição do seu coração?


Qual é a condição do seu coração?

Estou no quintal de minha casa em um dia legal e bonito, curtindo o clima quase parecido com o da Queda.
Provérbios nos diz: "Sobretudo proteja seu coração, pois é a fonte da vida". Provérbios 4:23
E Jesus nos diz que o maior mandamento é "amar ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, alma e força". Mt 22: 36-40
Enquanto meditava sobre essas verdades bíblicas nesta manhã, aqui está o que me veio à mente - eu só posso amar a Deus inteiramente se meu coração estiver realmente, realmente em excelente condição. Se está machucado ou esta carregando um espírito de falta de perdão ou se há alguma outra questão do meu coração que me está pesando, será meio difícil para mim derramar meu coração e minha alma para Deus, apaixonado.
Então, é importante para mim pesquisar regularmente meu coração para ver se há alguma emoção negativa que espreita lá. Se houver, eu faço o meu melhor para abordá-los, com a ajuda de Deus. Peço-lhe que me ajude a lidar com eles ... e, eventualmente, tire-os de mim para que eu possa ter um coração puro ... um coração cheio de amor.
Então, eu posso amar a Deus ... e amar os outros.
Eu encorajo você a avaliar continuamente seu coração. Peça a Deus para dar-lhe a coragem e para ajudá-lo a fazer isso com honestidade. E peça a Ele que lhe dê a graça de lidar com as emoções negativas que você encontra.
Então, o que vem do seu coração - para Deus e para os outros - será amor.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

A Família Cristã

Família, a Base da Sociedade Humana



Deus, por meio de Jesus Cristo se propõe a abençoar todas as famílias da terra, cumprindo a antiga promessa feita a Abraão: At 3:25-26 "Vós sois os filhos dos profetas e do pacto que Deus fez com vossos pais, dizendo a Abraão: Na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra. Deus suscitou a seu Servo, e a vós primeiramente vo-lo enviou para que vos abençoasse, desviando-vos, a cada um, das vossas maldades."

O que é a Família?


Gn 1:27-28 "Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra."
Gn 2:24 "Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne."
A família, criação de Deus, é a comunidade primária da raça humana, e é constituída pela união do homem com a mulher. A família vem antes de qualquer outra instituição; vem antes da cidade ou da nação.

A família é a célula primogênita da sociedade humana


Os séculos passam e os homens continuam integrando-se em famílias; por isso dizemos que a família é o núcleo básico da sociedade. Deus é o criador da família, e como tal, é o único que tem autoridade e direito para dizer o que é a família, para que ela existe, e como deve funcionar. A família só pode viver e se desenvolver normalmente, se contar com a benção de Deus.
Sl 127:1 "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela."

Situação atual das Famílias


A crise vivida pela nossa geração está localizada principalmente nos lares. Assim como o primeiro pecado foi cometido dentro da família e atentou contra ela ( ver Gn3:6 ), também em nossos dias a maioria dos pecado são cometidos dentro da família e vão contra ela.
Nos lares existem tensões, contendas, discussões, rixas, gritos, ofensas, ressentimentos, amarguras, e até separações e divórcios.
A família é alvo de Satanás e seu objetivo é destruí-la.
  • A deterioração dos valores tradicionais, o incremento dos conflitos familiares, o número crescente de separações e divórcios são de proporções alarmantes.
  • A igreja tem algo a oferecer as famílias de nossa sociedade para salvá-las?
Há solução em Jesus Cristo para as crises familiares?
Respondemos enfaticamente que SIM !
A deterioração da família ocorre porque as ordens de Deus tem sido ignoradas, abandonadas e trocadas por critérios humanos.

Razão do Presente Estudo

  • Conhecer bem a ordem de Deus para a família, para poder viver de acordo com ela e ensiná-la a outros.
  • Proteger nossas esposas, esposos e filhos das artimanhas de Satanás e da corrente mundana do humanismo que destrói a família. 
  • Formar comunidades baseadas nas famílias que encarnem os ensinamentos do Reino de Deus. Sabemos muito bem que a Igreja nunca será mais forte do que as famílias que a compõem.
  • Levar nossas famílias a serem modelos para a sociedade
Devemos assimilar que nossa contribuição será eficiente se o ensinamento vier acompanhado pelo exemplo de nossas famílias.
Mt 5:13-14 "Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte"

Recursos que Temos para Reconstrução da Família


1) Orientação precisa da Palavra de Deus


Somos muito afortunados! Deus, pela sua Palavra, nos dá instrução sobre todos os aspectos da vida familiar. Seus ensinamentos são claros, sinceros, precisos e perfeitos (Sl 19:7-9). São para todas as famílias em todas as épocas.

2) O poder transformador do Espírito Santo


Mediante o Espírito Santo, temos em nós a força do Senhor para mudar, melhorar e superar-nos até chegarmos a ser famílias saudáveis e santas para a glória de Deus. O fruto do Espírito Santo (Gl5:22-23), manifestado em nós, faz aflorar todas as virtudes necessárias para que tenhamos uma harmoniosa convivência familiar. Aleluia!

3) A valiosa ajuda da comunidade cristã


Na Igreja, sempre encontraremos pastores ou irmãos mais crescidos a quem poderemos recorrer em busca de sabedoria, conselho e orientação. Além disso, haverá ali famílias bem formadas que nos servirão de valiosos exemplos e modelos, dos quais vamos aprender e aos quais devemos imitar.

Nosso compromisso de Fé


Mt 6:10 "Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu"
Queremos Ter lares como Deus planejou. Queremos aprender a ser famílias que vivem a realidade do reino dos Céus aqui na Terra, debaixo do senhorio de Jesus Cristo.
Fp 1:6 "...tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus..."
Cremos de todo coração que Deus nos aperfeiçoará ate chegarmos a ser um povo de seu agrado:
  • Um povo formado por famílias sólidas, estáveis.
  • Solteiros que mantenham sua castidade.
  • Casais que convivam em harmonia e fidelidade.
  • Filhos respeitosos, esposas submissas, maridos amorosos e responsáveis.
  • Um povo que saiba trabalhar, estudar, progredir, casar-se, comer, criar filhos, descansar, honrar os mais velhos, divertir-se, recrear-se; que tenha casas cômodas prósperas, organizadas, harmoniosas.
  • Um povo de pessoas diligentes, cumpridoras de suas obrigações, laboriosas, generosas, que saibam servir.
  • Um povo harmonioso, formado por famílias saudáveis e felizes onde haja amor paz e ordem.

Para que Existe a Família


Antes de estudar os diferentes aspectos da vida familiar, parece fundamental focalizar o Propósito Eterno de Deus para ela, já que isto dará sentido e razão a todos os temas seguintes.
  • Para que existe a nossa família?
  • Para que nos casamos?
  • Temos objetivos claros?
  • Temos um propósito definido?
  • Qual deveria ser o propósito para a família cristã?
Somente alguns fazem estas perguntas a si mesmos com seriedade. A maioria das pessoas vive em família sem considerar o tema com profundidade.

1) Carência de propósito


Muitos simplesmente não determinam nenhum objetivo. Casam-se, trabalham, se esforçam, adquirem coisas, tem filhos, mas não sabem para que.
Se perguntarmos à maioria dos noivos, próximos ao casamento "para que estão se casando?", certamente não dariam uma resposta correta e clara. Planejam muitíssimos detalhes do casamento : o vestido, a festa, a viagem, os móveis, a lista de convidados, etc. mas provavelmente jamais formularam esta pergunta fundamental: "Para que vamos nos casar?"
É esta falta de propósito que leva a maioria dos pais a crer que são bons pais se apenas dão para seus filhos a comida, roupa, habitação, atenção médica, educação escolar, recreação, etc. Não percebem que embora tudo isso seja importante, não é o essencial.
2) Objetivos equivocados

A falta de propósito definido para a família faz com que corramos atrás de objetivos errados e façamos dos meios um fim, ou do secundário o primordial.
3) Objetivos materiais

O progresso material tem se tornado o objetivo principal de muitas famílias. A grande meta é o "conforto". Perdem a vida desejando e trabalhando para alcançar o desejado; logo depois, continuam trabalhando para manter o que conseguiram. Seu pensamento sempre está atrás de uma nova aquisição, sacrificam e põem a família de lado para conseguir o que desejam.
Lc 12:15 "E disse ao povo: Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui."
Gratificação pessoal e egoísta
Há alguns que se casam pensando apenas em si mesmos. Seu objetivo é apenas receber e não dar, não é servir é ser servido. Seja na área material, sexual, nas responsabilidades familiares. Seu fracasso é certo.
Adoração da própria família
Alguns fazem da família um fim em si mesmo. A felicidade pessoal e a convivência se tornam a meta mais alta da vida familiar. Mesmo que não se dêem conta disso, consideram a Deus como um excelente meio de conseguir seu bem estar. Tais famílias vivem muito preocupadas e atarefadas por sua própria fama e renome. Dedicam-se por inteiro a obter sua própria comodidade e prazer.
Obtenção de benefícios legítimos da vida familiar
Este é o principal objetivo que leva a maioria das pessoas a se casar , mesmo que não se apercebam disso conscientemente. Evidentemente, há benefícios legítimos que o próprio Deus tem outorgado ao casamento: alegria de viver em companhia, o poder dar e receber afeto, a felicidade e deleite que proporcionam as relações sexuais, o fato de estar arraigado e pertencer a um núcleo familiar, a cobertura e proteção que se alcança, a benção de ter filhos, etc.
Perguntamos então: "Está certo fazer destes benefícios o propósito para a família?"
A resposta é NÃO. No desenvolvimento do tema ficará clara a razão deste não.

Considerações Básicas


Rm 11:36"Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém."

1) Deus é o Criador da Família


Deus criou todas as coisas. Fez o homem e a mulher e os uniu mo casamento. Ele instituiu o casamento para todas as gerações. É Ele quem dá os filhos. Ele é o autor e criador da família.

2) Deus é o Dono da Família


Toda criação pertence a Deus. Portanto, a família também lhe pertence. Assim podemos afirmar que não é "nossa" família, mas "Sua" família; não são "nossos" filhos, mas "Seus" filhos.
Sl 24:1 "Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam."

3) Deus determinou um Propósito para a Família


Deus fez todas as coisas com uma finalidade preestabelecida. Isto significa que também a família tem uma intenção determinada. De antemão, Deus lhe designou um propósito e uma meta.
Ef 1:11 "Nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade"

4) A Família existe para Deus

Tudo foi criado para Deus. Dessa forma a família existe para Ele, e não para o nosso próprio benefício. A felicidade e o bem-estar do homem são derivados, são acessórios, nunca o propósito central. O fim supremo da família é a glória de Deus.

O Propósito de Deus para a Família


Porque Deus instituiu o casamento? Para que Deu uma esposa a Adão? Porque os fez uma só carne?
Deus tem um propósito eterno:
» Desde antes da fundação do mundo Ele determinou ter uma grande família de muitos filhos semelhantes a Seu filho Jesus.
Rm 8:29 "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos"
Ef 1:4-5 "como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade"
» A família existe em função do propósito eterno de Deus, para cooperar com a sua realização. Deus quer ser pai de uma grande família.
Malaquias mostra o propósito de Deus ao fazer do homem e da mulher "uma só carne", quando diz:
Ml 2:15 "E não fez ele somente um, ainda que lhe sobejava espírito? E por que somente um? Não é que buscava descendência piedosa? Portanto guardai-vos em vosso espírito, e que ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade."
Não foi Adão quem quis ter uma família, mas Deus. Deus deu ao homem a capacidade de se multiplicar e ter filhos. E essa descendência provê a Deus muitos homens e mulheres aos quais pode adotar como Seus filhos por meio de Jesus Cristo.
Gn 2:18 "Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea."
Deus não deu ao homem uma simples companheira, mas uma auxiliadora idônea, para que neles e através deles pudesse realizar seu plano.
A família foi criada e existe para cooperar com o propósito eterno de Deus de Ter uma família de muitos filhos semelhantes a Jesus Cristo. Dietrich Bonhorffer escreveu, de dentro de uma prisão nazista, a uma sobrinha que estava para se casar:
"O casamento é mais do que simplesmente vosso amor de um para com o outro. Tem uma dignidade e poder mais elevados, pois é o santo mandamento de Deus, por meio do qual Ele deseja perpetuar ao raça humana até o fim dos tempos. O vosso amor, diz respeito apenas a vós nesse mundo, mas no casamento, sois um degrau na escada das gerações, através da qual Deus faz vir e passar sua glória, e chama a seu reino. Em vosso amor, vedes o céu de vossa felicidade, mas em vosso matrimônio estais colocados em um posto de responsabilidade em relação ao mundo e a humanidade. Vosso amor é a vossa posição particular, mas o casamento é algo mais que o pessoal; é um estado, um ofício."

Como a Família coopera com o Propósito de Deus


1) Na procriação e criação dos filhos para Deus


É emocionante pensar que podemos ter filhos aos quais Deus deseja adotar como seus filhos. Como muda nossa atitude em relação as tarefas e responsabilidades familiares quando compreendemos isso.
Ter filhos ( sejam próprios ou adotivos ), criá-los, cozinhar, lavar , passar, trabalhar para o sustento diário, instruí-los, educá-los: tudo isso fazemos para Deus! Somos seus colaboradores. Estamos criando "Seus filhos".
Com este propósito todo o trabalho e esforço para a família se transforma em um serviço para Deus. A mesa de refeição ou a pia da cozinha são altares onde servimos a Deus. E se cumpre a visão de Zacarias.
Zc 14:20-21 "Naquele dia se gravará sobre as campainhas dos cavalos. SANTO AO SENHOR; e as panelas na casa do Senhor serão como as bacias diante do altar. E todas as panelas em Jerusalém e Judá serão consagradas ao Senhor dos exércitos; e todos os que sacrificarem virão, e delas tomarão, e nelas cozerão. Naquele dia não haverá mais cananeu na casa do Senhor dos exércitos."
É importante que os pais não só assumam a responsabilidade de criar filhos, mas de encaminhá-los ao Senhor. É necessário:
  • Orar por eles e com eles
  • Educá-los com o exemplo
  • Dedicar tempo a eles
  • Ensinar-lhes a Palavra de Deus
  • Levá-los a experimentar Deus de modo que se tornem Seus verdadeiros filhos
O casal que vai ao casamento com o objetivo de obter os benefícios do matrimônio, dificilmente chegará a ser feliz. Descobrirá que na vida em família não se encontram apenas benefícios, mas também trabalho, responsabilidades, dificuldades, lutas e sofrimentos.
Ao contrario, o casamento que vive para cumprir o propósito de Deus, tem uma atitude positiva. Não se amargura diante das tragédias, da luta e do sofrimento; ao invés disso, é feliz, sabendo que toda a vida é um serviço para Deus.
Essa família desfruta de benefícios legítimos? É claro que sim, é muito importante saber que Deus não forma uma família para si mesmo as custas da nossa felicidade. Deus quer que sejamos felizes e desfrutemos plenamente os benefícios que a vida em família nos oferece. Mas esses benefícios são secundários, são os "acessórios". O importante é seu propósito eterno.
E os casais que não podem ter filhos?
Todos os casais podem ter filhos, seja por gerá-los ou adotá-los. Há tantas crianças que precisam de pais!
E os que não se casam?
Podem se dedicar a outros aspectos do serviço na obra do Senhor. Jesus não se casou. Paulo não teve família. Mas os dois viveram totalmente entregues a cumprir o propósito de Deus.

2) Na formação e desenvolvimento do ser humano


A convivência familiar proporciona as circunstâncias ideais para nos conhecermos e aperfeiçoarmos. O lar é o lugar onde nossos defeitos ficam mais evidentes. O homem e a mulher chegam a se conhecer e descobrir a si mesmos no ambiente familiar.
É na convivência familiar que se forma o nosso caráter e também onde mais precisamos praticar as virtudes cristãs: amor, humildade, paciência, bondade mansidão, etc. Ali aprendemos a responsabilidade, a diligência, a submissão, a delicadeza, o serviço, a ordem, o respeito, a tolerância. Vivendo em família aprendemos a perdoar, suportar, confessar, negar a nós mesmos, exercer autoridade em amor, corrigir com bondade, sacrificar-nos pelos outros, orar, confiar em Deus, administrar, compartilhar.
O lar é a escola de formação, tanto para os pais quanto para os filhos. Deus usa a convivência familiar mais do que qualquer coisa para transformar nosso caráter, já que deseja nos conformar na imagem de Seu Filho, de acordo com seu propósito eterno. (Rm8:29)

3) Sendo uma base de crescimento e edificação da Igreja


Uma família abençoa as outras famílias. Deus quer usar nossos lares como base para extensão de Seu reino sobre a Terra. Não apenas cooperamos com Deus na criação de filhos e na formação das vidas, mas também para abrir nossos lares aos perdidos para que encontrem salvação e ensino da Palavra do Senhor.

O Valor da Família


1) A família no fundamento da estrutura social


Através da família, a sociedade se estrutura de maneira harmoniosa, coerente, dinâmica e natural. O que seria da sociedade se não existisse a família? Deus não poderia Ter "inventado" nada melhor que a família para conseguir integração, desenvolvimento e bom funcionamento da sociedade humana.

2) A família gera identidade, alicerce, proteção e cobertura


Estas são necessidades importantes de toda pessoa.
Sl 68:5-6 "Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus na sua santa morada. Deus faz que o solitário viva em família; liberta os presos e os faz prosperar; mas os rebeldes habitam em terra árida."

3) A família é o lugar onde se expressa e se desenvolve a plenitude da capacidade afetiva, psicológica, física e espiritual do homem e da mulher.


Sl 128 "Bem-aventurado todo aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos. Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem. A tua mulher será como a videira frutífera, no interior da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira, ao redor da tua mesa. Eis que assim será abençoado o homem que teme ao Senhor. De Sião o Senhor te abençoará; verás a prosperidade de Jerusalém por todos os dias da tua vida, e verás os filhos de teus filhos. A paz seja sobre Israel."

Conclusão


Como família cristã, a compreensão destas verdades deve nos fazer refletir sobre nossos objetivos, nos levar a fazer as correções necessárias e a consagrar-nos ao propósito de Deus.
Oração
"Obrigado, Senhor, por entender melhor a tua vontade. O nosso casamento é Teu. Declaramos que nossa família existe para Ti. Talvez, quando casamos, pensávamos só em nós mesmos, mas hoje, ao compreender Teu propósito, pedimos perdão e corrigimos nosso rumo. Proclamamos que existimos como família para cumprir teu propósito eterno. Como família nos consagramos a Tua vontade. Amém."
Para pensar e conversar:
1. O que acontece com a família que vive sem um propósito claro, ou com objetivos errados? O que se pode fazer para corrigir este erro?
2. Resumir em uma breve declaração de fé os quatro pontos mencionados no item "Considerações Básicas".
3. Analisar os textos bíblicos de Rm 8:29 e Ef 1:4-5. Quantas coisas são reveladas ali sobre a família de Deus?
4. Por que Deus deseja adotar como Seus próprios filhos, os filhos que criamos em nossa família? Por que precisamos desejar isso?
5. Elaborar uma breve definição do valor da família, baseado nos pontos apresentados no item "O valor da Família"

quarta-feira, 19 de julho de 2017

“Venha o teu Reino, até a última fronteira”

 “Venha o teu Reino, até a última fronteira”

Conceituando uma Igreja funcional como comunidade que faz diferença na terra.

Apocalípse em português evoca um sentido escatológico, de “ultimas coisas”. Em Inglês, Revelation, dá-nos a idéia de “descoberta”, “revelação”. Entretanto em grego, apokalipso, significa simplesmente “trazer à tona o que está encoberto”.

Não se trata puramente de dar conhecimento a fatos vindouros. Apocalípse na verdade fala muito mais sobre a Igreja de Cristo hoje, seu caráter, sua vida e  Missão. Gostaria assim que lêssemos Apocalípse, capítulo 3.

Apoc 3:15-17

“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio, ou quente. Assim porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes estou rico e abastado e não preciso de cousa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu”

As cartas de Jesus às Igrejas da Ásia possuem duas funções básicas.

A primeira é revelar os critérios pelos quais o Senhor julga a Sua Igreja. Nós a julgamos por valores externos, visíveis e contábeis: seu templo e número de membros, sua estrutura administrativa e exposição social, seus líderes e seu culto. Como canta o coral e como prega o pastor.

Os critérios de Jesus são bem mais particulares e giram em torno de valores mais eternos do que passageiros;

Charles Kerman, filósofo cristão, diz que “nada do que tocamos é eterno”. E Jesus, quando olha para as igrejas de Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia trata de valores eternos. Em nenhum momento usa como crivo de julgamento  a estrutura física e visível da igreja mas trata sim do pecado que a assedia, a fidelidade perante as provações, a pregação do evangelho no mundo e a resistência aos ataques do diabo.  Jesus prepara aqui uma Igreja para viver a eternidade.

A segunda função básica das cartas às igrejas na Ásia é justamente nortear nossa jornada hoje.

Apesar de Apocalípse ser um livro com cores escatológicas, é altamente existencial tratando do cotidiano do povo de Deus neste mundo.

O verso 15 do texto que lemos fala sobre a possibilidade de uma Igreja ser quente, fria ou morna e erroneamente tem sido visto ao longo de anos como uma simples apresentação de três diferentes níveis de espiritualidade. Se o analisarmos cuidadosamente, entretanto, veremos que o assunto tratado é a funcionalidade da Igreja, seu modus operandi, o que ela faz baseado em quem ela reconhece ser.

Esta carta começa afirmando “conheço as tuas obras” (3:15) apontando para a vida funcional, prática e efetiva da Igreja e continua dizendo:.

“Que não és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente...”

e esta é basicamente uma afirmação de desejo. O Senhor Jesus afirmando à Igreja em Laodicéia que desejava que fossem quentes ou frios. Não há indícios para crermos que fosse uma expressão de ironia mas sim um desejo sincero de vê-los tanto quentes quanto frios.
Para entendermos esta afirmação precisamos lembrar que Laodicéia, pequena cidade, localizava-se entre outras duas grandes e conhecidas cidades na região. Ao norte Hierápolis e ao sul Colossos.

Hierápolis era conhecida em toda a região por suas fontes de águas frias. Era uma espécie de Oásis no verão para onde as multidões afluíam.  Segundo Orgeon[i], à entrada da cidade havia uma inscrição com os dizeres: “Lugar de Refrigério”.

Colossos ao sul era ainda mais conhecida pelas suas fontes de águas quentes, sobre as quais dizia-se possuírem poderes medicinais e terapêuticos usadas por pessoas com problemas ósseos, reumáticos, respiratórios e tantos outros. Um lugar de cura e terapia do corpo.

Quando o Senhor afirmou à igreja: “que nem és frio nem quente” poderíamos parafrasear: Que nem possuis função de causar refrigério às vidas que os procuram como as águas frias de Hierápolis; como também perdestes a função terapêutica de alívio aos aflitos à semelhança das águas quentes de Colossos. Como sois mornos (e águas moras não possuem função) estou a ponto de vomitar-te da minha boca.

Jesus mostrava assim que em Seu Reino a Igreja deveria possuir uma função kerygmática. De levar o evangelho até a última fronteira.

Permitam-me propor-lhes alguns conceitos norteadores da caminhada desta Igreja na visão de Jesus para o Seu Reino, a partir do exemplo de Laodicéia.


1. No Reino de Deus o caráter  precede a Missão

A vinda do Reino entre todos os povos começa sempre a partir de um movimento particular antes de chegar às massas. Começa a partir de um coração que espelha o senhor Jesus.

Muitas vezes nos impressionamos com homens, ministérios e histórias que não impressionam a Deus. E isto acontece porque o critério pelo qual o Senhor Jesus julga a sua Igreja é muito mais particular do que público. Por isto sabemos biblicamente que Missões não é uma ação definida em termos de resultados mas sim de fidelidade ao Senhor. Entretanto em nossa recente história das missões no Brasil ainda cultuamos mais os resultados do que o caráter.

No verso 15 quando o Senhor Jesus, escrevendo à Igreja em Laodicéia diz, “conheço as tuas obras”, o texto utiliza a expressão “erga” (de “ergon”) para “obras”.
Poderia ter utilizado “energema” se desejasse enfatizar a vida pública, e não particular da Igreja. Ou ainda “euergeteo” se o objetivo fosse enfatizar a sua vida comunitária.
Entretanto “erga” se refere a atos puramentes pessoais, à vida particular. Não se trata de grandes realizações ou façanhas mas sim da rotina da vida diára.  Em outras palavras Ele estaria dizendo: conheço a sua vida, seus pensamentos e suas tendências. Conheço a sua rotina fora do templo. Conheço o seu caráter.

Como podemos avaliar o nosso esforço missionário ? A partir dos resultados na transmissão da Palavra  ou da fidelidade em vivê-la e transmiti-la ?

Creio que nós não fomos chamados simplesmente a converter as nações mas sim a viver a fé que pregamos. É o que mostra-nos 1 Coríntios 4:9 quando o texto afirma que os “apóstolos” (representando a Igreja que avançava) eram postos em “último lugar”, como se “condenados à morte”. E termina dizendo que “nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos quanto a homens”.

O termo para “espetáculo” neste verso é “theatron” de onde temos a palavra “teatro” em português. “Theatron” literalmente significava “estar em um palco sendo observado”. A idéia é de um grupo teatral se apresentando em um palco iluminado por tochas que eram postas ao seu redor. Cada palavra dita, gesto realizado, movimento ou intenções estavam sendo cuidadosamente observados pelo auditório.

A verdade simples e contundente que sai deste texto é que você e eu, a Igreja de Jesus Cristo, estamos sendo observados, e não apenas por homens mas também por anjos.  A ênfase desta afirmação portanto não é simplesmente kerigmática, defendendo uma Igreja que existe para apenas proclamar o evangelho de forma inteligível, mas sim martírica: uma comunidade de santos que, antes de mais nada, foi chamada para falar, viver, agir e reagir  de acordo com o caráter de Jesus.  O verso não fala a respeito de salvação mas sim de testemunho.

Tiago 4:8 também nos adverte para que não sejamos uma Igreja com “ânimo dobre” e para “dobre” usa a expressão grega “dipxoi” (di-dois; pxoi – almas) : duas almas. Fala portanto a respeito de alguém que possui um corpo mas duas almas. Uma alma quer Deus e a outra deseja o mundo. Uma grita “glória a Deus” durante o ardente momento de louvor e a outra caminha negociando a verdade e a justiça no dia a dia do seu trabalho. Uma fala de santidade, a outra de mundanismo.
Ele nos alerta assim exortando-nos a sermos um homem com apenas uma alma. Que deseja apenas a Deus, Sua verdade e justiça. A glória do Seu nome.

Missões portanto não é um empreendimento que pode ser medido pelos resultados alcançados mas deve ser definido pela fidelidade na comunicação do amor de Deus ao mundo, e portanto não é a competência mas sim a vida e caráter que definirão a obra a ser realizada.

O caráter precede a Missão. E se isto é verdade precisamos, em nossas igrejas locais e escolas se Missões fazer mais do que treinar missionários. Precisamos fazer discípulos.


2. No Reino de Deus a obediência determina o avanço

Logo após o Senhor Jesus afirmar que Laodicéia era uma Igreja disfuncional, Ele apresenta o motivo no verso 17:
“pois dizes: estou rico e abastado e não preciso de cousa alguma”.

O motivo da disfuncionalidade daquela Igreja na Ásia era o pecado, e neste caso a soberba.  O pecado possui a habilidade de nos incapacitar temporariamente, de inibir a nossa funcionalidade e de obscurer a nossa Missão.  O pecado produz uma Igreja estéril.

E perante isto percebemos que apenas a obediência ao Senhor construirá uma Igreja que irá até a última fronteira. Em toda a história da expansão da Igreja vemos que somente a obediência, e não a tecnologia ou recursos financeiros, determinou o seu avanço. Para avançar e transpor barreiras é necessário obedecer.

Vejamos quais barreiras temos perante nós ainda hoje.

Desafio Étnico.
Há no mundo atual 2227 grupos étnicos distintos sem qualquer presença missionária ou conhecimento do evangelho. Pressupondo que já entramos nas áreas mais abertas política, linguística, geográfica e culturalmente, podemos entender que estes 2.227 PNAs (Povos Não Alcançados) não são “mais” 2.000 grupos sem o evangelho mas sim justamente os mais resistentes em toda a história do Cristianismo. Portanto estamos lidando com o remanescente que apresentará maior resistência.

Desafio Linguístico.
Convivemos hoje com 6528 línguas vivas. 336 possuem a Bíblia completa, 928 o Novo Testamento completo e 918 grandes porções bíblicas, ou seja a Palavra está expressivamente presente em 2212 línguas. Deixa-nos com mais de 4.000 línguas, minoritárias e faladas por apenas 6% da população mundial, sem nada da Palavra de Deus. Entretanto tudo isto acontece em um mundo onde 1 bilhão e meio de pessoas, segundo a ONU, não sabe ler ou escrever. Não poderiam ler a Palavra mesmo se a tivessem em sua própria língua.

Desafio Missiológico.
Fomos bombadeardos positivamente desde a década de 80 por uma missiologia que priorizava alcançar os não alcançados. Neste afã começamos a concentrar-nos como Igreja e Agências Missionárias na lista dos PNAs. E hoje, desde que Ralph Winter primeiramente listou os 13.000 povos não alcançados nos anos 80, este número baixou para 2.227 e há quem pense que é ainda menor.  Entretanto, de acordo com os relatórios de crescimento da Igreja da World Mission International  podemos notar que o evangelho apenas arranhou a superfície social em pelo menos 4.000 destes povos.  Entre estes menos de 2% da população conhece a Jesus e não há registro de grandes avanços.
Corremos o risco, assim, de encerrar esta década sem nenhum povo não alcançado em nossa lista de PNAs mas com milhares de grupos onde mais de 90% da população desconhece Jesus. Esta também, ao meu ver, é uma realidade indígena brasileira. Precisamos enfatizar não apenas os PNAs em nosso país mas também os grupos onde a Igreja, presente, precisa de ajuda para fazer o evangelho chegar entre todo o seu povo.

Para ultrapassar tais barreiras é necessário obedecer. No dia 13 de agosto de 1727 houve um avivamento missionário entre um grupo de Checos refugiados na Saxônia (atual Alemanha) , chamados de Morávios. O líder daquele movimento era Nicolas Von Zinzendorf e esta pequena igreja enviou missinários para todos os continentes da terra e mudou o rumo da nossa história. Já ao fim deste movimento Zinzendorf desejou fortemente enviar um missionário para alcançar os esquimós no Ártico e decidiu desafiar o oleiro da aldeia. Um homem de meia idade, solteiro, que fazia vasos de barro para viver. Mas Zinzendorf não tinha mais dinheiro e nem uma equipe para enviar com ele como fizera no passado. Após orar ele o chamou em um fim de tarde e disse: “Creio que é vontade do Senhor que alcancemos os esquimós e quero lhe desafiar a ser este missionário. Não temos dinheiro para lhe dar portanto, se aceitar você irá como peregrino e com certeza, pela distância e dificuldade de chegar à região, não creio que jamais poderá regressar”.

Aquele oleiro pensou por um momento e disse: “Falar de Jesus ? Se você puder me dar um par de sapatos usados, amanhã cedo eu irei”. Imagino que aquele homem estivesse descalço e sua única exigência ao dar a sua vida à causa de Jesus foi um par de sapatos usados.  Hoje, mais de 50% dos esquimós são crentes no Senhor Jesus.

A obediência determina o avanço.



3. No Reino de Deus o sacrifício prepara a terra para o plantio.

O versículo 20 tem sido usado muitas vezes como ilustração evangelística:
“Eis que estou a porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo”.

Na verdade este é um convite à Igreja e não ao descrente. Um convite para a comunhão com Jesus. Entretanto comunhão com Jesus implica muitas vezes em sacrifício necessário pela simples necessidade de abstinência daquilo que não combina com o Mestre.

Para ultrapassarmos as barreiras que temos perante nós, sejam urbanas ou tribais, linguísticas ou culturais, de caráter ou de preparo, precisamos levar em consideração a possibilidade do sacrifício cristão.

Isto aconteceu em Atos no capítulo 8 quando a Igreja sofreu na primeira grande arrancada em direção à proclamação do evangelho além fronteiras.

No verso 1 Lucas diz que houve grande “perseguição” à igreja e usa para isto a palavra grega “Diogmos”, que está ligada ao sofrimento físico: causar dores, fazer sofrer. Expunha um ataque físico no qual os crentes eram açoitados e mortos.
No verso 2 ele diz que houve grande “pranto” a respeito de Estêvão e para “pranto” ele usa o termo “Kopeton” que significa literalmente “bater no peito” e indica um sofrimento Emocional. Era a Igreja angustiada e deprimida pela cruel  perseguição.
No verso 3 Lucas afirma que Saulo “assolava” a Igreja usando para isto um termo grego derivado de “Lumaino” que aponta para a destruição espiritual. É o mesmo termo usado em João 10:10 em que lemos que o diabo veio “roubar, matar e... destruir”. 

A Igreja sofria fisica, emocional e espiritualmente, mas crescia.  Com certeza ela nunca, conscientemente buscou o sacrifício, mas estava pronto para passar por ele quando o momento chegasse. Kermann afirma que “o sacrifício precede os grandes avanços” e em Atos 8, na dolorosa dispersão da Igreja, o evangelho avançou.

Os blocos de resistência que temos perante nós hoje,
a)      O Islamismo se enraizando cada vez mais sob uma cobertura política e sendo confundido com nacionalismo;
b)      O Budismo ganhando aura de religião de requinte a qual nunca recebeu tanto subsídio de marketing mundial como nos últimos 10 anos;
c)       O Animismo resistente e pronto a fomentar o sincretismo cristão onde quer que esteja;
d)      O secularismo pós-moderno varrendo a Europa e Norte da América.

O Cristianismo não ultrapassará estas barreiras sem sacrifício.

Estive recentemente visitando uma região próxima a Maraã no coração da Amazônia onde vivem os Kambeba, Kokama e Miranha. Eram tidos, até pouco tempo atrás, como grupos indígenas ainda não alcançados pelo evangelho. Tamanha foi minha surpresa ao chegar entre eles e ver ali a presença de uma forte igreja evangélica, que louva a Deus com fervor e amor. Procurando os autores daquele trabalho missionário nos apontaram alguns crentes ribeirinhos, especialmente o Sr. João, como é conhecido. Fui entrevistá-los. Pessoas simples, alguns ainda iletrados, mas com tremenda paixão pelo Senhor Jesus. Viviam em um “flutuante” formado por um cômodo apenas e, além das redes, possuiam somente uma cadeira e uma panela. Contaram-me então como, através do escambo e comércio com os indígenas, conseguiram lhes transmitir o evangelho e plantar ali uma forte igreja.
Perguntei-lhes: “Mas como vieram parar aqui, em região tão distante ?”
Responderam-me: “viemos ganhar a vida”.
“E como está a vida” – lhes perguntei.
“Vai muito bem. Já plantamos 6 igrejas”
Aqueles eram missionários sem sustento, aplausos ou reconhecimento. Eram servos de Jesus que confundiam o ganhar da vida com o ganhar de almas. Homens que passavam privações profundas para que o evangelho chegasse até ao final do rio Maraã. O sacrifício necessário rega a terra e abre as portas para o avanço.

Em 1876 Don Capricio, bispo católico romano, ministrava a palavra inicial na convenção regional hospedada em Taranto, sul da Itália, quando afirmou que ‘A Missio Dei, pela sua supremacia bíblica, dispensa a Missão da Igreja. Somos apenas contempladores das maravilhas do Deus que faz[ii]. Apesar da ênfase deísta gostaria de, após 125 anos, contestar esta proposta eclesio-missiológica que se apoderou etogenicamente da nossa consciência cristã pós-moderna.  A Igreja não é um membro contemplativo do Reino de Deus, excluída da Missio Dei e chamada a ser exangue, alienada, sem vida e sem paixão. Ela é  parte do Projeto de Redenção escrito pelo Senhor para a salvação de todo aquele que crê. 

Don Capricio, entretanto não se distancia muito da errática tendência cristã atual que tenta incluir-se nas bênçãos do evangelho e se auto-excluir de sua prática: a antibíblica vontade de ver a terra arada sem por as mãos no arado. De pregar o evangelho sem crer na possiblidade do sacrifício.

O sacrifício prepara a terra para o plantio.

Conclusão


Em 1784, após lerem a biografia do missionário David Brainard,  o estudante Wiliam Carey foi chamado por Deus para alcançar os Indianos. Saiu da Inglaterra, na viagem de navio sua esposa engravidou e deu a luz antes de chegar à India em uma viagem que durou mais de 12 meses em alto mar. Foi um dos maiores missionários que a História registra e traduziu porções do Novo Testamento para mais de 20 línguas.

Em 1852 Deus falou ao coração de um jovem franzino e não muito saudável para se dispor ao trabalho transcultural em um país idólatra e selvagem. Vários irmãos de sua igreja tentavam dissuadí-lo dizendo: “para que ir tão longe se aqui na América do Norte há tanto o que fazer ?” Ele preferiu ouvir a Deus e foi. Seu nome é Simonton que veio ao Brasil e fundou a Igreja Presbiteriana do Brasil tendo chegado aqui no dia 12 de agosto de 1859.

Em 1945 Deus levantou uma mulher também na América. Solteira, baixinha e inexperiente ela veio ao Brasil e embrenhou-se na floresta Amazônica onde desejava evangelizar um rio, chamado Içana. Seu nome é Sofia Muller, missionária da Novas Tribos do Brasil. E Deus deu-lhe forças. Percorreu aquele rio durante décadas, alcançou a tribo Baniwa, Kuripako  e traduziu o Novo Testamento para o Kuripako. Como usava todo o seu tempo em terra para o evangelismo ela o traduziu enquanto viajava de canoa de aldeia em aldeia durante mais de duas décadas. Hoje, uma vez por ano, todas as tribos convertidas se encontram para louvar a Deus por ter levantado Sofia Muller para lhes trazer o evangelho. A Funai afirmou recentemente que este é um dos pouquíssimos lugares na Amazônia onde os indígenas não enfrentam problemas com alcoolismo, conflitos e guerras.

Há duas coisas em comum entre Carey, Simonton e Sofia Muller. Todos registraram em seus diários e biografias um desejo apaixonante de fazer diferença na terra e compartilhavam a teologia da expansão do Reino até aos confins do mundo.

Não se contentavam apenas em susbsistir neste mundo vendo a vida passar. Criam que, em Deus, é possível mudar o óbvio, tranpor o impossível e fazer diferença em vida. Criam que fomos criados para levar o nome de Jesus até a última fronteira conhecida. Gostaria que também crêssemos assim. A Deus toda glória.




[i] T. Orgeon, Natural History IX – London 1893.

[ii] Christianity and Faith. R.W. Gordon, 1995.

EDIFICANDO UM POVO QUE MINISTRA

IMPLICAÇÕES DE IDENTIDADE:
EDIFICANDO UM POVO QUE MINISTRA

 

INTRODUÇÃO

Podemos dizer que um dos grandes desafios do ser humano é o de conhecer aquilo para o qual empreenderá sua vida ou parte de sua vida. Sem um momento de silêncio e reflexão para procurar conhecer aquilo para o qual vamos nos dar e dar de nós é correr riscos para futuras decepções e infortúnios pessoais. Em outras palavras, é colocar em risco nossa própria vida.
O mesmo princípio é válido para a identidade de uma igreja. Conhecer a igreja de Cristo a partir de uma perspectiva bíblica é indispensável para a caminhada rumo à consolidação e continuidade da implantação de uma igreja sadia. Isto é fundamental para uma convivência humana como experiência de alegria, de cooperação, de fraternidade, de serviço, de missão e de crescimento pessoal e comunitário em Deus. O desconhecimento pode nos conduzir à tentação de fazer da igreja uma espécie de imagem daquilo que eu sou e penso, distorcendo uma visão bíblica de certos pontos sobre a identidade da igreja e impedindo a agilidade da comunidade cristã na sua vida comunitária e missionária.
Gostaríamos de abordar alguns apontamentos necessários para fixar em nossa mente, de uma vez por todas, aquelas questões bíblicas acerca do ser da igreja que poderíamos dizer serem inegociáveis, ou seja, valores que não se alteram e que possibilitam ao povo de Deus, nas demais áreas da vida da igreja, a serem criativos e mais do que isso, contextualizados, atualizados, enfim CONTEMPORÂNEOS.
Creio que de início uma questão precisa ser levantada: - Quais seriam as áreas específicas que nos devem interessar na igreja local, pensando em aperfeiçoar o povo de Deus, tornando seus membros relevantes uns para os outros e a igreja para o mundo?

1.            A Igeja não é apenas um amontoado de pessoas, ela é povo de Deus.


A bíblia é clara neste ponto: nós não somos apenas uma soma de pessoas. Somos um povo, temos um nome e com isto uma meta, uma missão, um referencial existencial.

2.            A Igreja não existe só por causa do seu culto de domingo.

Sua missão é mais ampla do que apenas reunir-se para  o culto e quando nos limitamos a participar da igreja só em função do culto, estamos limitando o que Deus pode fazer através de nós individualmente e socialmente. Há pessoas que podem estar pensando, “Ah, eu vou ao culto todos os domingos e acho que isto basta para ajudar a minha igreja”.

3.            Deve-se ter uma visão dos propósitos que Deus procura realizar através do seu povo.


Martim afirma que  “os cristãos têm, com freqüência, uma visão severamente limitada dos propósitos que Deus busca realizar através da igreja”.  Devemos concordar com tal afirmação pois o que percebemos na maioria das igrejas estabelecidas, pensando a nível de Brasil, é todo um trabalho e agenda voltados para a manutenção da igreja, dos trabalhos já existentes e para a consolidação dos sistemas e estruturas internas, sejam relacionados ao governo, evangelismo, louvor, educação cristã ou outra área qualquer. É como se todo o propósito de Deus se resumisse nisso: atas, paletó, departamentos internos, recursos materiais, conferências, etc.
Tanto no AT quanto no NT podemos perceber que os interesses e propósitos de Deus estão muito além deste conjunto de valores criados pelos nossos vícios e concepções reducionistas de igreja. Para confirmar esta observação, particularmente, aprecio muito o texto de Efésios 1.22 e 23:
“E pôs todas as cousas debaixo dos seus pés e, para ser o cabeça sobre todas as cousas, o deu à igreja,
a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as cousas”.
texto merece um estudo mais aprofundado, mas quero apenas que você observe as palavras grifadas (é o seu corpo), ou seja, a igreja é a expressão de Jesus Cristo. Quais foram os propósitos de Deus através de Jesus? A igreja só não salva, mas no que diz respeito à abrangência do ministério de Jesus, podemos afirmar ser de responsabilidade da igreja de Cristo.

4.            Deve-se ter uma visão do amor em que relacionamentos pessoais íntimos possam ser desenvolvidos.


“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.
Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amos uns aos outros”.
Francis Shaeffer diz que “esta passagem revela o sinal que Jesus dá para rotular um cristão não somente numa época ou numa localidade, mas em todos os tempos e em todos os lugares, até a sua volta”. Esta é uma ênfase em todo o NT e em I João 3.11, João afirma que o amor é a essência da mensagem ouvida desde o início: “Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta, que nos amemos uns aos outros”.
Estejamos no Brasil, ou nos EUA ou em qualquer outro lugar somos chamados a eleger o amor como sinal da comunidade cristã. Estamos implantando uma igreja e o amor deverá ser um dos pilares fundamentais deste projeto. Devemos começar já neste caminho de amor. Este é um sinal inadiável, que não se deixa para começar amanhã. Deus nos livre de sermos uma comunidade de relacionamentos superficiais, de amor só de boca, ou de alienação em relação aos problemas dos outros. Quem ama se compromete, se doa e, acima de tudo, faz a vontade do Senhor.
A comunidade cheia de amor é o contexto em que os dons espirituais são exercidos. O contexto relacional do ministério também nos leva a explorar a natureza não-institucional da capacitação. Os dons - no sentido mais limitado do dom do corpo e no sentido mais amplo da capacidade como concessão geral do Espírito - devem expressar-se no contexto dos relacionamentos pessoais íntimos.
Um dos desafios a serem enfrentados por uma igreja que deseje edificar um povo que ministra é desenvolver uma comunidade de amor, como o contexto para o exercício dos dons do corpo, e para construir relacionamentos significativos com a comunidade que a cerca, a fim de possibilitar a continuação  no mundo.

5.            Deve-se aprender a fazer discípulos e não apenas membros de igreja.


Este ponto merecerá em outra oportunidade uma atenção maior uma vez que o fazer discípulos é a meta final da evangelização e da implantação de igreja. Afinal, o que se pretende com a nova igreja é que seja ela uma comunidade de discípulos e não apenas de crentes evangélicos.
A ênfase sobre a encarnação, tanto na nova aliança como nos ensinamentos sobre o reino, ajuda-nos a compreender como é vital o crescimento à semelhança de Cristo para um povo ministrador. Para representar Jesus no mundo, é absolutamente essencial que cresçamos em direção à maturidade cristã e isto só se realizará via discipulado. O que pretendemos ser não é um grupo de  crentes, mas de discípulos do Senhor.

6.            Deve-se guiar o povo de Deus para que seus membros tornem-se servos uns dos outros e do mundo.


O cristão  é chamado para envolver-se com outros em suas necessidades e expressar interesse de maneiras significativas. Veja que esta idéia revela a necessidade de construir relacionamentos sólidos, profundos e significativos. Importante para isto é criar uma disposição pessoal de relevância para os outros e ver no próximo o seu valor como pessoa humana. O alvo na comunhão dos santos é de relacionar-se com a necessidade humana a fim de gerar compromissos responsáveis com o próximo e despertar nele e em mim a atenção para o chamado de Deus para uma convivência dinâmica, sempre em crescimento e coesa.

7.            Deve-se providenciar treinamento, no ministério, para que os membros do corpo possam servir a Deus com eficiência.


Este ponto é parte da nossa filosofia pessoal de ministério e creio que também deva ser da igreja. O discipulado permanente deve ter como foco a edificação permanente em direção à maturidade e compromisso pessoal com todo o conselho de Deus.
A medida que o Espírito chama os crentes aos vários ministérios, dando-lhes uma visão e moldando-a, é preciso que sejam também equipados para o ministério. Este é o papel da educação cristã na vida eclesial.
Do ponto de vista daqueles que possuem e desenvolvem ministérios dentro da igreja, é necessário um espírito ensinável, desejoso de aprimoramento com vistas à excelência daquilo para que foram chamados a realizar. Deve-se evitar descansar em modelos pré-estabelecidos, o uso permanente de estratégias e métodos que conhecemos somente porque nos acostumamos com eles ou porque são os únicos que conhecemos e ainda, evitar aquele espírito maligno que sei tudo o que preciso saber na minha área de trabalho. Caso isto não seja verificado, ocorrerá que todo potencial, talentos e criatividade, uma vez sufocados, perderão o seu sentido e significado e a comunidade se tornará irrelevante e ineficaz em seu ministério.

8.            Deve-se possuir uma melhor compreensão da liderança no corpo de Cristo.


Ao mesmo tempo que somos levados a acreditar numa liderança qualificada em todos os sentidos, espiritual, moral, de conhecimento da Palavra e na comunicação e ministério, que possui a responsabilidade de ser modelo e padrão do féis, devemos pensar e construir os meios de como os líderes podem funcionar em conjunto com outros membros que também participam inteiramente em Cristo da responsabilidade de ser um povo de ministradores.

9.            Deve-se construir um pensamento bíblico acerca da missão e espiritualidade integral da igreja.


Ora, com isto estamos afirmando que o nosso papel como igreja de Deus é amplo e dirige-se para todas as esferas da vida. A visão de papel e ação da igreja deve ser ampla, procurando agir e influenciar na cultura, nas estruturas da sociedade, na espiritualidade de um povo, etc.
No que diz respeito ao ser da igreja, somos chamados a desenvolver nossa vida devocional particular quanto comunitária, a adoração (louvor, orações, etc), a sociabilidade (pic-nics, passeios, esporte, etc), o profissionalismo, etc...

10.          Deve-se cultivar um espírito aberto para uma estrutura dinâmica.


Devemos a todo o custo evitar os ranços estruturais (formas), que são criados por um pensamento pobre e reducionista quanto maneira da igreja ser e funcionar. Precisamos entender que a mudança não é má quando procura reparar uma situação ou organismo ineficiente e que não comunidade da melhor forma o evangelho ou a vida cristã. Não podemos enriquecer o ser da igreja por causa de métodos e estratégias arcaicas e superadas por questão de atualidade.

11.          Deve-se cultivar no processo de crescimento a idéia e a atitude de não se criar aquele sentimento de posse ou “senhores” de determinados ministérios, áreas e projetos na igreja.


Isto azeda o crescimento. Todas as vezes que determinadas pessoas se sentirem insubstituíveis na sua função além de causar indisposição nos membros do grupo, estará matando as novas vocações dons. A igreja já não será mais do Senhor, mas de famílias ou indivíduos que tiverem mais concentração de funções, podendo determinar a vida da igreja.

12.          Deve-se entender que a IGREJA é uma referência para um projeto maior do que ela mesmo.


Ela está abaixo do Reino. Ela deverá, no entanto, ser uma plataforma ou uma referência de um ministério maior, mais amplo, que extrapole os limites das questões internas na igreja.
Um grande perigo no processo de crescimento de um grupo é aquele em que se perde a visão de fora em função das demandas internas. Quando isto acontece, a igreja para de crescer. Há que cuidar da sua vida interna, prestando atenção na necessidade de amadurecimento dos seus membros, de suas estruturas e formas, porém, sem jamais, perder de vista que o mundo é o palco maior e final de sua missão.

13.          Deve-se entender que a Igreja é a cara dos seus membros.

Responsabilidade, entusiasmo, alegria, dinâmica são palavras que caracterizam a vida de uma gireja. Contudo, lembre-se que quemproduz esta “cara da igreja”são as pessoas que estão arroladas na igreja. O produto final da igreja é a soma das personalidades que ela abriga.

14. Você deve entender que a igreja precisa de você.


Sim, você não pode ser um membro inativo, disfuncional e sem envolvimento e participação. O seu talento, seus dons espirituais, o seu tempo, o seu parecer, sua habilidade estão a serviço do Reino de Deus desde o dia em que você se converteu.